Mitos associados à PHDA
Geral
MITOS

- A PHDA não existe

- A medicação é perigosa e desnecessária

VERDADE

- Base genética

- Grande impacto em todas as áreas da vida

- Sintomas evoluem mas podem permanecer na idade adulta

- Impacto emocional

Social
MITOS

- O diagnóstico surge por pressão das sociedades ocidentais

VERDADE

- Dificuldade na integração no grupo de pares por:

> Dificuldades no autocontrolo

> Dificuldades na organização do discurso

Casa
MITOS

- A PHDA é o resultado de más práticas parentais

- As crianças fazem o que lhes apetece

- Não lhes impõem limites

VERDADE

- As famílias sentem-se perdidas e sem apoio

- Causa de stress familiar acentuado

Escola
MITOS

- Preguiçoso

- Perturbador

- Lento

VERDADE

- Não consegue planear e organizar-se

- Dificuldades de memória

- Dificuldades de aprendizagem

- Desmotivação

- Baixo autoconceito académico

MITO 1 - A PHDA como doença “não existe”!

A PHDA não é um diagnóstico criado com o propósito de medicar crianças por pressão dos pais ou da escola, em sociedades demasiado competitivas. Atualmente, o modelo mais aceite é o de que a PHDA é uma condição neurobiológica, com marcada etiologia genética, envolvendo disfunção de várias regiões específicas do cérebro com claro impacto ao nível das funções executivas, como a memória de trabalho, planeamento da ação e atenção. É claramente uma perturbação generalizada, sendo um fenómeno à escala mundial e não apenas uma resposta às exigências da sociedade ocidental1.

MITO 2 - A PHDA surge por más estratégias parentais / disfunção familiar!

Apesar da importância de fatores ambientais, nomeadamente o ambiente sociofamiliar, no agravamento ou proteção relativamente às queixas de PHDA, estes nunca são a sua causa primária. Relativamente à etiologia, existe evidência clara que o metabolismo das catecolaminas no córtex pré-frontal tem um papel importante, sendo esta informação corroborada quer através de estudos de ressonância magnética funcional, quer pela própria resposta terapêutica aos medicamentos com atividade noradrenérgica, como os psicoestimulantes. Parece claro o carácter hereditário desta perturbação, existindo estudos que evidenciam que a PHDA tem níveis de hereditariedade equivalentes à esquizofrenia ou à perturbação bipolar1.

MITO 3 - A medicação para tratar a PHDA é altamente aditiva e comporta grandes riscos de abuso de substâncias e problemas cardíacos.

Os fármacos utilizados no tratamento da PHDA não causam dependência ou habituação, antes previnem os comportamentos aditivos em jovens e adultos com PHDA. Em doentes sem patologia cardíaca subjacente, não existe qualquer evidência do risco de eventos cardiovasculares adversos no tratamento com psicoestimulantes. Todas as guidelines atuais defendem que, nas crianças sem história de patologia cardiovascular, com exame físico cardiovascular normal e sem história familiar de patologia cardiovascular como morte súbita ou arritmias, não é necessário qualquer avaliação cardíaca (incluindo eletrocardiograma) prévia ao início da medicação1.

MITO 4 - A utilização de medicação é um risco para um cérebro em desenvolvimento!

A disfunção cerebral associada à PHDA envolve importantes áreas neurocognitivas prejudicando o funcionamento académico, familiar e social. Estas alterações neurocognitivas podem persistir ao longo da vida adulta com repercussão negativa nas taxas de produtividade e problemas no emprego e na família. O uso de terapêutica farmacológica durante a idade escolar, tem revelado um efeito protetor do sistema nervoso central, com redução da incidência de muitas complicações na vida adulta1.

1. Final Report Summary - ADDUCE (Attention Deficit Hyperactivity Disorder Drugs Use Chronic Effects) Project ID: 260576; Funded by the European Commission under: FP7-HEALTH; Last updated on 2016-08-18)